Um porta-voz da Maersk afirmou que a companhia ainda não definiu uma data precisa para retomar as navegações pelo Canal de Suez, apesar de a Autoridade do Canal de Suez (SCA) ter anunciado um retorno antecipado da transportadora dinamarquesa no início de dezembro.
Em comunicado, a Maersk declarou que pretende restabelecer a navegação no corredor Leste-Oeste “assim que as condições permitirem”, ressaltando que a segurança das tripulações continua sendo a prioridade máxima. “Dado o progresso significativo em ambas as frentes, a Maersk tomará medidas para retomar a navegação e, com o tempo, normalizar os trânsitos nessa rota”, afirmou a companhia.
O esclarecimento ocorre após a SCA e a Maersk anunciarem um acordo de parceria estratégica em Ismailia. Na ocasião, a SCA divulgou que os serviços da Maersk voltariam ao canal no início de dezembro. O anúncio veio na esteira de esforços diplomáticos renovados na região e da decisão das forças Houthi de suspender ataques marítimos no Mar Vermelho — fator crucial para reduzir a preocupação de operadores após meses de desvio de rotas.
A SCA afirmou que a retomada planejada dos navios da Maersk representa um passo inicial para restaurar os fluxos normais de contêineres no eixo Leste-Oeste. O almirante Ossama Rabiee, presidente da autoridade, classificou a movimentação da Maersk como “um passo na direção certa”, apontando o aumento do tráfego em outubro e novembro como sinais de estabilização do corredor do Mar Vermelho.
A Maersk havia desviado grande parte de sua frota do Mar Vermelho no ano passado em meio a ataques próximos ao estreito de Bab el-Mandeb. Embora a empresa tenha reiterado que o Canal de Suez continua sendo sua rota mais eficiente entre a Ásia e a Europa, evitou confirmar o cronograma da SCA, afirmando que as viagens só serão retomadas quando as condições de segurança estiverem plenamente asseguradas.
Analistas marítimos do SEB afirmaram que as ações da Maersk surpreenderam parte do mercado. “A Maersk surpreendeu o mercado ao iniciar um processo de retorno ao Mar Vermelho antes do esperado”, escreveu o banco sueco. “Isso, na prática, liberará capacidade, exercendo pressão adicional sobre as tarifas de frete. O momento de uma queda nas tarifas e o impacto potencial nas projeções e no tamanho dos programas de recompra de ações ainda são incertos. O ponto positivo é que o inevitável acontece mais cedo do que tarde, permitindo que as transportadoras reduzam capacidade diante da queda de tarifas antes que elas eventualmente voltem a subir”, pontuou o SEB em nota aos investidores.
A transportadora francesa CMA CGM também se prepara para um retorno completo no próximo mês, após negociações semelhantes com a SCA. Seu navio de 17.859 TEUs, CMA CGM Benjamin Franklin, tornou-se recentemente o maior a transitar pela hidrovia em dois anos — movimento que a autoridade disse refletir a melhora da confiança entre os operadores.
A SCA tem oferecido descontos tarifários para grandes porta-contêineres e reforçado sua rede de serviços enquanto busca uma reabertura mais ampla do corredor do Mar Vermelho.
(Splash 247)
