Aeroporto do Galeão é arrematado pela Aena em leilão de venda assistida

Lance vencedor teve ágio de 210,8% e sinaliza o potencial do aeroporto carioca para o transporte aéreo brasileiro

Leilão Aeroporto Galeão B3 @cauediniz-9422.jpg

Fotos: Cauê Diniz/B3

Com um lance de R$ 2,9 bilhões e ágio de 210,8%, a Aena arrematou o leilão da venda assistida do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Antônio Carlos Jobim, realizado nesta segunda-feira, 30 de março, na sede da B3, em São Paulo (SP) e com transmissão pelo canal oficial da Agência no YouTube.

A empresa apresentou o melhor lance e superou as concorrentes Zurich e Rio de Janeiro Aeroporto S.A, que terminaram o leilão com os valores de R$ 2,80 bilhões e R$ 1,88 bilhão, respectivamente.

Com o resultado, a Aena arrematou 100% das ações da operadora do terminal, a Concessionária Aeroporto Rio de Janeiro (CARJ), encaminhando, ainda, a saída da Infraero, que detinha 49% do quadro societário. Agora, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) partirá para etapa de recebimento dos documentos da vencedora e julgamento da habilitação, que ocorrerão em abril. Em seguida, no mês de maio, está prevista a fase de recursos contra o resultado e a habilitação. A assinatura do contrato, por sua vez, deve ocorrer no segundo semestre.

A venda assistida do Galeão é fruto de uma solução consensual homologada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O modelo incorpora melhorias regulatórias e busca assegurar a sustentabilidade da concessão até o término do contrato em 2039, com a preservação dos investimentos já realizados.

O objetivo é readequar o contrato de concessão, garantindo a continuidade da prestação do serviço público, a ampliação da capacidade operacional e o atendimento ao crescente fluxo de passageiros e cargas no aeroporto.

O edital incorpora contribuições recebidas durante consulta e audiência públicas, realizadas pela Anac e pela Secretaria Nacional de Aviação Civil, do Ministério de Portos e Aeroportos (SAC/MPor), entre 19 de setembro e 5 de novembro. Todos os documentos relacionados à venda assistida do Galeão estão disponíveis na página Concessões, no site da Anac.

Principais regras

O lance mínimo do leilão de venda assistida começou em R$ 932,83 milhões e teve como critério de julgamento a melhor proposta econômica, definida pela maior oferta de contribuição inicial devida ao Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac). A participação foi restrita a pessoas jurídicas e fundos de investimento brasileiros ou estrangeiros, que puderam concorrer individualmente ou em consórcio, conforme as regras do edital.

A Infraero, por sua vez, atual acionista pública da concessão, teve sua participação acionária de 49% na CARJ vendida. A RJA, atual acionista privada, e atual controladora da concessão, também pôde participar do leilão. A venda abrange todos os ativos, passivos, direitos e obrigações da atual operadora. A aquisição ocorreu em lote único, sem possibilidade de compra parcial.

A proponente vencedora assumirá a execução do contrato de concessão, conforme as readequações previstas no Termo Aditivo de Repactuação. Entre as principais mudanças estão:

– Contribuição variável de 20% sobre o faturamento bruto até 2039;
– Exclusão da obrigação de construção de uma terceira pista;
– Criação de mecanismo de compensação em caso de restrições operacionais no Aeroporto Santos Dumont (RJ).

Histórico da concessão

O Aeroporto do Galeão foi concedido à iniciativa privada em 2013, durante a 3ª Rodada de concessões promovida pelo Governo Federal. O Contrato de Concessão nº 001/2014/ANAC foi assinado em abril de 2014, com vigência a partir de maio do mesmo ano.

Em 2022, a concessionária manifestou formalmente a intenção de aderir ao processo de relicitação. O procedimento foi autorizado pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (CPPI) no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O termo aditivo ao contrato foi assinado em novembro de 2022, com eficácia a partir de 10 de janeiro de 2023.

Em 2023, o Acórdão nº 1593/2023-TCU-Plenário reconheceu a possibilidade de renegociação das concessões como alternativa à relicitação, desde que demonstrada sua vantajosidade. Em agosto de 2024, após a concessionária declarar interesse em continuar operando o aeroporto, o TCU instaurou uma Comissão de Solução Consensual, com representantes do MPor, da Anac, da CARJ, da Advocacia Geral da União (AGU) e do TCU.

A comissão elaborou uma proposta de modernização regulatória para reestruturar o contrato e pacificar controvérsias, resultando na repactuação do contrato de concessão por meio de leilão de venda assistida. A solução consensual tem o objetivo de superar os desafios enfrentados nos últimos anos e garantir a sustentabilidade e a continuidade das operações de um dos mais importantes aeroportos do país.

Fonte: Site oficial do Governo Brasileiro

Associe-se

Filie-se

Dúvidas?

Preencha o formulário abaixo e nossa equipe irá entrar em contato o mais rápido possível!