Processo de ampliação movimenta navios e também trajetórias construídas ao longo de décadas no principal complexo portuário de Pernambuco

“A dragagem é fundamental para os portos brasileiros. É ela que permite a chegada e saída de navios maiores e mais cargas, movimenta riquezas e acompanha o desenvolvimento das cidades que crescem ao redor do porto. Para quem passou a vida acompanhando a movimentação de embarcações, a dragagem vai muito além da retirada de sedimentos do fundo do mar”. É desta forma que o capitão de longo curso do Porto de Suape (PE), Fernando de Menezes, resume a importância da dragagem para garantir a competitividade do setor e o crescimento da atividade portuária no país.
Recentemente, o Porto de Suape recebeu investimentos de R$ 217 milhões para ampliar sua capacidade operacional e reforçar sua posição como um dos principais polos logísticos do Nordeste. A iniciativa permite ao complexo portuário receber embarcações maiores e acompanhar o crescimento da movimentação de cargas em Pernambuco. Mas os impactos de uma obra como essa vão além dos números, eles chegam até à população.
Uma vida construída nos portos do Brasil
Alexandre Falcão, conhecido no setor simplesmente como Falcão, é uma dessas pessoas. Sua história com os portos começou aos 18 anos, quando retornou de um intercâmbio nos Estados Unidos e recebeu do tio o convite para trabalhar em uma agência de navegação. O que parecia ser apenas o início da vida profissional acabou se transformando em uma trajetória de mais de três décadas ligada ao setor portuário.
Ao longo dos anos, trabalhou nos portos do Recife (PE), do Mucuripe (CE), de Paranaguá (PR) e de Santos (SP), acumulando experiências em diferentes segmentos da atividade marítima e portuária. Quando o Tecon Suape dava seus primeiros passos, Alexandre participou de um processo seletivo para trabalhar no terminal. Chegou a ser aprovado, mas, naquele momento, já havia aceitado uma oportunidade profissional em Paranaguá e seguiu outro caminho.
Porém o setor portuário acabaria trazendo-o de volta para Pernambuco. Em 2008, Alexandre retornou ao estado e passou a acompanhar de perto a expansão de Suape, atuando em operações ligadas à descarga de equipamentos e à movimentação portuária. Em 2011, assumiu a gerência regional da Polo Operadores Portuários, empresa instalada no complexo portuário, onde participa diariamente das operações e acompanha o crescimento de um porto que viu surgir. “Eu vi o Porto de Suape nascer. Quando voltei para Pernambuco, vi também o quanto ele estava crescendo. E continua crescendo até hoje”, relembra.
O porto, que já fazia parte da sua trajetória profissional, passou também a fazer parte da sua vida pessoal. Seu filho ingressou no setor portuário e hoje atua em uma função de liderança operacional. Em casa, as conversas frequentemente giram em torno do porto. “Hoje a gente vive o Porto de Suape. Eu trabalho no porto, meu filho trabalha no porto”, afirma Falcão.
A ligação é tanta que, em 2023, Alexandre deu mais um passo e fundou uma empresa de locação de equipamentos voltada ao setor portuário, ampliando sua atuação em uma cadeia econômica que ajudou a construir ao longo dos anos. “O porto é minha vida. Eu amo a atividade portuária. Minha esposa diz que eu sou casado com o porto”, brinca.

Crescimento que gera oportunidades
Para Alexandre, a dragagem recém-concluída representa muito mais do que uma obra de infraestrutura. Ela significa mais navios, mais cargas, mais operações e mais oportunidades para milhares de trabalhadores que dependem diretamente da atividade portuária.
“Do ponto de vista operacional, é algo extremamente importante. Navios maiores trazem mais carga, aumentam o fluxo de embarcações e geram mais trabalho para todo mundo que vive do porto”, explica.
Segundo ele, os benefícios chegam a toda a cadeia portuária, de operadores e caminhoneiros a empresas de apoio marítimo e trabalhadores portuários avulsos, que dependem diretamente da movimentação de cargas para garantir renda. “Quanto mais o Porto de Suape cresce, melhor para todos nós”, finaliza o gerente.
Fonte: Site oficial do Governo Brasileiro