A China suspendeu os embarques de soja de cinco exportadores brasileiros após inspeções de rotina detectarem trigo proibido misturado à carga destinada a Pequim, segundo o South China Morning Post.
Entre as aproximadamente 69 mil toneladas de soja brasileiro no porão do navio Shine Ruby, inspetores da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) descobriram cerca de 10 toneladas de trigo revestido com um revestimento químico não autorizado para alimentos ou ração animal. O pesticida não identificado é aprovado apenas para tratamento de sementes pelas regras chinesas de segurança alimentar e é considerado tóxico se ingerido. O trigo brasileiro não tem autorização para entrar na China sob nenhuma circunstância, o que agrava ainda mais a “grave violação”.
A suspensão entrou em vigor na quinta-feira. Ela atinge duas unidades da Cargill e uma unidade de cada da Louis Dreyfus, da CHS Agronegócios e da 3Tentos Agroindustrial, todas localizadas no Estado de São Paulo, exceto a 3Tentos, que fica no Rio Grande do Sul.
Outras unidades dessas mesmas empresas continuam autorizadas a exportar, assim como mais de 2.000 outras plantas habilitadas.
A GACC enviou uma carta à embaixada do Brasil em Pequim explicando que a decisão foi tomada para proteger a saúde pública e garantir a segurança das exportações. As autoridades chinesas lembraram os brasileiros de que um problema semelhante ocorreu em dezembro passado e em janeiro, quando exportações de várias unidades foram suspensas após inspetores terem encontrado pesticidas não autorizados nas cargas. Essas suspensões foram retiradas em abril, após o Brasil adotar medidas corretivas.
O Ministério da Agricultura (Mapa) afirmou na sexta-feira que recebeu a notificação da China e convocou as empresas afetadas para uma revisão. Em comunicado, o ministério afirmou que “o Brasil mantém altos padrões de sanidade vegetal e segurança alimentar” e que se comprometeu a trabalhar com os chineses para resolver a situação.
A China é o principal destino dos produtos agrícolas brasileiros, incluindo a soja, respondendo por mais de três quartos das exportações brasileiras do grão. Entre janeiro e outubro, a China comprou cerca de 73 milhões de toneladas, e autoridades esperam que o total do ano ultrapasse 100 milhões de toneladas.
Embora as recentes compras chinesas de soja dos EUA possam sinalizar uma distensão na guerra comercial de Washington, com apenas 12 milhões de toneladas no ano, os EUA dificilmente representarão qualquer ameaça à liderança brasileira.
(The Macao News)
