Como painelista, ressalta integração produtiva, faz analogia com a trajetória brasileira e aponta potencial logístico da Bolívia para ampliar a competitividade regional

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O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou, nesta terça-feira (17), do Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. O evento reuniu empresários brasileiros e bolivianos com o objetivo de ampliar oportunidades de comércio bilateral e investimentos entre os dois países.
Painelista no debate “Agroindústria e Biotecnologia: Inovação e Sustentabilidade”, Fávaro afirmou que o encontro ocorre em um momento estratégico para o fortalecimento das relações econômicas bilaterais. Segundo ele, há espaço para aprofundar a integração das cadeias produtivas do agronegócio e ampliar o intercâmbio tecnológico. “A Bolívia ocupa posição de destaque e oferece oportunidades em alimentos, bebidas, máquinas e equipamentos. Trata-se de um país com grande potencial de crescimento, cuja relação com o Brasil se fortalece a cada ano”, disse.
Fávaro destacou a trajetória do agro brasileiro como exemplo de desenvolvimento baseado em inovação e cooperação entre os setores público e privado. “Há pouco mais de cinco décadas, o Brasil era importador de alimentos. Hoje, é o terceiro maior exportador mundial, com produção eficiente e sustentável. A Bolívia possui condições e potencialidades semelhantes”, afirmou.
Também presente no fórum, o presidente boliviano, Rodrigo Paz Pereira, destacou o esforço recente do país para ampliar sua inserção internacional. “Trata-se de uma política ativa de posicionar a Bolívia no mundo, apresentando nossas qualidades, fragilidades, desafios e potencialidades. Com o Brasil, buscamos um diálogo franco, com foco no fortalecimento das relações e na construção de oportunidades conjuntas”, afirmou.
O presidente ressaltou ainda o papel estratégico da Bolívia na logística regional e no comércio internacional. Segundo ele, a localização geográfica do país pode reduzir em até cinco dias o tempo de transporte de mercadorias brasileiras para mercados externos, aumentando a competitividade. Paz destacou o potencial de integração bioceânica, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de corredores logísticos mais eficientes, e defendeu a consolidação da Bolívia como parceiro estratégico do Brasil.
Na relação fronteiriça, Paz mencionou a forte interconexão territorial entre os dois países, especialmente nas regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O presidente concluiu que, com ações adequadas, a Bolívia pode expandir significativamente sua economia nas próximas décadas.
Outro ponto abordado por Fávaro foi a adesão da Bolívia como Estado Parte do Mercosul, em 2024. Segundo o ministro, a harmonização regulatória e a facilitação do comércio tendem a ampliar a confiança mútua e a circulação de produtos, tecnologias e investimentos. “A cooperação técnica que estamos construindo – envolvendo sanidade vegetal e animal, biotecnologia, melhoramento genético e processamento de alimentos – amplia nossas capacidades coletivas. Isso é fundamental para estimular a confiança e incentivar o investimento no desenvolvimento tecnológico”, destacou.
Ao encerrar sua participação, o ministro reforçou a visão estratégica de integração entre os países. “A visão para o futuro é clara: construir uma rota comum de inovação que conecte a agroindústria à sustentabilidade. Uma rota que consolide a integração regional, gere novas oportunidades de negócios e investimentos e contribua para um desenvolvimento sólido e duradouro entre Brasil e Bolívia”, concluiu.
Fórum Empresarial Brasil-Bolívia
Organizado pela ApexBrasil, pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pela Fiesp, o Fórum Empresarial Brasil-Bolívia integrou a agenda oficial da visita de Estado boliviana ao Brasil e contou com a participação de mais de 120 empresários bolivianos, além de autoridades de ambos os países.
Os painéis abordaram setores estratégicos, com foco em rodadas de negócios, atração de investimentos e integração econômica. O objetivo foi ampliar o comércio bilateral e promover parcerias em inovação, sustentabilidade e infraestrutura logística.
Fonte: Site oficial do Governo Brasileiro