Programa de concessão de canais amplia eficiência da operação portuária e aumenta competitividade dos produtos nacionais, diz ministro Tomé Franca

Implantado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, programa garante previsibilidade na operação e presença de navios maiores nos portos brasileiros

Foto: Divulgação/MPor

Imagine um caminhão que precisa sair só com parte da carga porque a estrada ou a ponte não suporta seu peso máximo. Para transportar toda a mercadoria, será preciso fazer uma segunda viagem, consumindo mais tempo, combustível e recursos. Na logística portuária, uma situação semelhante ocorre quando a profundidade dos canais de acesso limita a operação dos navios. Em alguns casos, embarcações precisam reduzir a carga para navegar com segurança. Em outros, navios de maior porte simplesmente deixam de operar no porto por falta de profundidade suficiente.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) vem estruturando uma política nacional voltada à modernização dos canais de acesso aos portos brasileiros. A estratégia combina dragagens, manutenção permanente, sinalização náutica, gestão do tráfego aquaviário e concessões específicas para essa infraestrutura, com o objetivo de ampliar a segurança da navegação, aumentar a capacidade operacional dos portos e acompanhar a evolução do transporte marítimo internacional.

O ministro Tomé Franca, de Portos e Aeroportos, explicou a estratégia do Governo do Brasil para modernizar a infraestrutura aquaviária. “Quando garantimos canais de acesso mais modernos e com manutenção permanente, damos previsibilidade às operações portuárias, permitimos a chegada de navios maiores e aumentamos a eficiência da nossa logística. Isso reduz custos para quem exporta, fortalece a competitividade dos produtos brasileiros e prepara nossos portos para acompanhar a evolução do comércio internacional”, afirmou.

“Quando garantimos canais de acesso mais modernos e com manutenção permanente, damos previsibilidade às operações portuárias, permitimos a chegada de navios maiores e aumentamos a eficiência da nossa logística”, Tomé Franca.

A importância dos canais de acesso

Embora pouco perceptíveis para quem acompanha o comércio exterior apenas pelos números das exportações, os canais de acesso desempenham papel decisivo para a eficiência da logística nacional. São eles que determinam a profundidade disponível para a navegação e, com isso, o tamanho das embarcações que podem operar com segurança e a quantidade de carga embarcada em cada viagem.

Essa relação tornou-se ainda mais importante nas últimas décadas com a evolução da navegação mundial. Os navios porta-contêineres cresceram em tamanho e capacidade, passando de embarcações de aproximadamente 300 metros de comprimento e capacidade para cerca de 5 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), para modelos de até 400 metros e capazes de transportar aproximadamente 14 mil TEUs. Para operar plenamente, essas embarcações exigem canais mais profundos do que aqueles projetados quando muitos portos brasileiros foram construídos.

Ilustração com 4 navios, lado a lado, mostrando a evolução dos tamanhos.
Fonte: Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec)

Mais profundidade, mais competitividade

A profundidade dos canais define o calado operacional das embarcações, isto é, a profundidade máxima em que um navio pode navegar com segurança sem tocar o fundo. Na prática, quanto maior o calado permitido, mais carga a embarcação consegue transportar. Se o canal é raso, o navio precisa reduzir seu carregamento para operar com segurança.

Esse ganho de eficiência repercute em toda a cadeia logística. Ao transportar mais carga por escala, os custos da operação tendem a ser distribuídos entre um volume maior de mercadorias. Na prática, isso reduz o custo logístico por contêiner ou por tonelada embarcada, tornando os produtos brasileiros mais baratos e, assim, mais competitivos nos mercados internacionais.

O resultado beneficia diversos setores da economia. Exportadores conseguem escoar maiores volumes de produtos com mais eficiência, operadores logísticos reduzem custos operacionais e os portos ampliam sua capacidade de movimentação, acompanhando a evolução do transporte marítimo mundial.

Segundo estudo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), navios de aproximadamente 400 metros podem transportar quase três vezes mais contêineres que embarcações produzidas duas décadas atrás. Além do ganho de capacidade, essas embarcações reduzem o custo por contêiner transportado, diminuem o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa.

Por outro lado, quando a profundidade disponível limita o carregamento das embarcações ou exige que elas aguardem condições favoráveis de maré para navegar, parte dessa eficiência deixa de ser aproveitada. O resultado é uma operação menos produtiva, com impactos sobre a competitividade logística do país e sobre a capacidade dos portos brasileiros de acompanhar o crescimento do comércio internacional.

Investimentos no setor

O primeiro marco desse novo modelo foi o leilão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), realizado em outubro de 2025, o primeiro do gênero no país. O contrato prevê mais de R$ 1 bilhão em investimentos ao longo de 25 anos e contempla a administração, manutenção e exploração da infraestrutura aquaviária, incluindo canais de navegação, bacias de evolução e áreas de fundeio.

A iniciativa abriu caminho para novos projetos conduzidos pelo ministério. O canal de acesso ao Porto de Itajaí (SC) já teve seu processo encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), com investimentos estimados em mais de R$ 300 milhões. Outros empreendimentos estratégicos, como os canais de acesso aos portos de Santos (SP), Rio Grande (RS) e aos portos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), encontram-se em fase de estudos e estruturação.

Fonte: Site oficial do Governo Brasileiro

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